Quem véve no luxo, somente gozando,
Dinheiro gastando sem mágoa e sem dor,
Não pensa, nem julga e também não conhece
O quanto padece quem mora a favor

Meu Deus! Como é duro se ouvi o lamento,
O grande trumento do triste agregado!
Oxente das coisa mais boa da vida,
De roupa rompida, sem cobre, coitado!

Os fio dizendo: — Papai, tou com fome!
E o pobre desse home a chora como loco,
Oiando a famia, tão magra e tão fraca
Na veia barraca de paia de coco.

Pra ele armoçá, é preciso premêro
Corre o dia inteiro, sadio ou doente,
Só acha um consolo, na sorte tão crua,
Nos beijo da sua muié paciente

Acorda bem cedo e do frio agasalho
Sai para o trabaio, de foice ou de enxada;
Assim padecendo crué abandono
Na roça do dono da casa caiada

Não crê nas promessa do rico opulento,
No seu sofrimento só pensa em Jesus,
Rogando e pedindo pra tê piedade,
Levando a metade do peso da cruz

As suas criança, pra quem tudo farta,
Não brinca, não sarta, não tem alegria,
Enquanto pinota na casa caiada
Feliz meninada, rebusta e sadia

Não vai à cidade, só véve lutando,
Limpando ou brocando, socado na mata
Ninguém lhe conhece, nem sabe o seu nome,
Se acanha com os home que bota gravata

Se às vez ele fica parado, escutando
Arguém conversando, falando de guerra,
Cochicha uma reza, baixinho, em segredo,
Tremendo com medo dos grande da terra

Assim ele véve, do mundo esquecido,
Com fome despido, a chorar como loco,
Oiando a famia tão magra e tão fraca,
Na veia barraca de paia de coco
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