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Entrando no Bororé

Walther Morais

Lá vem o vito solito,
Entrando no bororé
E o cusco brasino ao tranco,
Na sombra do pangaré
Chapéu grande, lenço negro,
Jeitão calmo de quem chega
A tarde em tons de aquarela,
Lembra um quadro do berega
Um flete troteando, alerta,
Bufa e se nega pra os lados
E uma perdiz se degola
No último fio do alambrado
Apeia na cruz da estrada
E o seu olhar se enfumaça
Saca o sombrero em silêncio,
Por respeito à sua raça...

Lá vem o Rio Grande a cavalo,
Entrando no bororé
Lá vem o Rio Grande a cavalo,
Que bonito que ele é...

Procura à volta do pingo
E alça o corpo sem receio
Enquanto uma borboleta
Senta na perna do freio
Inté interte o cristão
Que se cruza campo a fora
Mirar a garça matreira
No seu pala cor de aurora
Pois lá num rancho de leiva
Que ele ergueu com seu suor
Fica o sonho por metade
De quem vive sem amor
Num suave bater de asas,
Cruza um bando, sem alarde
E as garças e o Vitor somem
Lá na lonjura da tarde...

Lá vem o Rio Grande a cavalo,
Entrando no bororé
Lá vem o Rio Grande a cavalo,
Que bonito que ele é...


capa do álbum Semana Farroupilha de Walther Morais
Album: Semana Farroupilha
Gravadora: 2010 ACIT
Ano: 2017
Faixa: 2
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