Viola Urbana

Saudação a Um Caipira

Viola Urbana

Mas que viola é essa, caipirantiga,
que adispois tanto tipo de cantiga ajudou a fazê?
Que tanto gái vem dessa árvri boa, arvriola,
que as raiz são nossos anos e anos de canturia e sufrimento,
passado-semente no interior desse mundão-terra?

É viola simpli, sempre, dum jeitão bunito só, do povo de roça:
bunito de vivê e de cantá !
misturado, na cidade-grande, em seresta de vida!
Por sinar, serenata e viola sempre suberam muito bem di si misturá...

É viola nas voz da mocidade, que tudo que toca é tocá viola,
é viola no saco e fora , as voz misturada,
imitando as tantas voz da viola qui chora,
cumo si fosse muito mais qui dez !
Ixe !
Coisa do além, que gente nova nem sabe donde é qui vem,
mas arrepia assim mesmo...

É viola com a mió roupa, roupa de vê-Deus, roupa de ir pra missa.
Nos rádio, nas televisão....
Qui todo dia e toda hora é boa, mas dumingo di manhã é viola, num é não?

É viola agitada, baião rasqueado, festêro:
acende as cacunda pra dançá e pra pensá bobage!
Mas ela mesmo, não. Só de farra, ingenuína que ela só...

É viola desse Brasilzão todo, do coração as ponta,
mas que desde o pispio vem forte do Nordeste.
Também, tinha qui sê.
Nessa sua muita falança de viola, sempre chorosa e sardosa...!

É viola que faz as gente se encontrá e se reencontrá,
se juntá tudo, us qui já si cunhicia e os qui ainda não;
bom mesmo é tá junto, in vorta dela...

É viola que chega chique, de terno e gravata, dos mestre de uma tar de MPB.
Popular e erudita: trivida! Clássica ela mais qui tudo.
Mas não aquela das banda grande, barái marcado chei de naipe.
Aquela num é viola nunquinha;
Daqui a pouco vai querer que violoncelo seja violão !

Aquela xará num é a verdadeira,
legitimada nos calo dos matuto de onti, de hoje e de tresantonte.
Quinem Dr Rosa falô : us novo vem trazeno num tar de gene
todas raiz di um mundo véi de trovadô,
qui já era muito inhantes de nóis nem pensar in ixisti...

Violinha qui é raiz, raiz de pau, é pau e corda. Verdadeira.
Só dá raiva, seu doutô, é de uns aí que se acha de ser-tanejo,
mas num tem viola da bruta : tem mesmo é uns grito elétrico, barulheria, trem copiado dus gringo. Num ingana, não: cupiá dos otro é fácil !
Difícil é espiá os valor de dentro do própio umbigo!

Mas vamo mudá o rumo dessa prosa,
que viola boa mesmo é de festa de raiz : Congado, Marujada, Fulia de tradição lá das Minas Gerais. Êta terra danada de boa, sô !
Lugazim que em si só, cumo quem num quê nada,
é o Brasil inteiro nu'a cabeçona do mapa!
Ali sim é que mió a viola festeja, louva a Deus e agradece!

E óia cumo qui essa viola ficou famosa?
ganhou asa de televisão e de rádio,
todo Mundo vê e ouve, todo mundo canta cu'ela ?

O tanto de gente nova que tá tocando viola ! é os fruito dessa árvri boa...

NUM É QUE ESSA CAIPIRINHA TÁ PARECENDO GENTE ??
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