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Candongueiro - Coisa Da Antiga

Pedro Miranda

Eu vou-me embora pra Minas Gerais agora Eu vou pela estrada afora Tocando meu candongueiro, oi Eu sou de Angola, bisneto de quilombola Não tive e não tenho escola Mas tenho meu candongueiro Eu vou-me embora Eu vou-me embora pra Minas Gerais agora Eu vou pela estrada afora Tocando meu candongueiro, oi Eu sou de Angola, bisneto de quilombola Não tive e não tenho escola Mas tenho meu candongueiro No cativeiro Quando estava capiongo Meu avô tocava jongo Pra poder segurar, oi A escravaria Quando ouvia o candongueiro Vinha logo pro terreiro Para saracotear Eu vou-me embora Eu vou-me embora pra Minas Gerais agora Eu vou pela estrada afora Tocando meu candongueiro, oi Eu sou de Angola, bisneto de quilombola Não tive e não tenho escola Mas tenho meu candongueiro Meu candongueiro Bate jongo dia e noite Só não bate quando o açoite Quer mandar ele bater, oi Também não bate Quando seu dinheiro manda Isso aqui não é quitanda Pra pagar e receber Eu vou-me embora Eu vou-me embora pra Minas Gerais agora Eu vou pela estrada afora Tocando meu candongueiro, oi Eu sou de Angola, bisneto de quilombola Não tive e não tenho escola Mas tenho meu candongueiro Meu candongueiro Tem mania de demanda Quem não é da minha banda Pode logo debandar, oi Pra vir comigo Tem que ser bom companheiro Ser sincero e verdadeiro Pra poder me acompanhar Eu vou-me embora Eu vou-me embora pra Minas Gerais agora Eu vou pela estrada afora Tocando meu candongueiro Eu sou de Angola, bisneto de quilombola Não tive e não tenho escola Mas tenho meu candongueiro Na tina Vovó lavou, vovó lavou A roupa que mamãe vestiu quando foi batizada E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar Hoje mamãe me q48 falou de vovó só de vovó Disse que no tempo dela Era bem melhor Mesmo agachada na tina e soprando no ferro de carvão Tinha-se mais amizade E mais consideração Disse que naquele tempo a palavra de um mero cidadão Valia mais que hoje em dia Uma nota de milhão Disse afinal que o que é de verdade ninguém mais hoje liga Isso é coisa da antiga, ô na tina Na tina Vovó lavou, vovó lavou A roupa que mamãe vestiu quando foi batizada E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar Hoje o olhar de mamãe marejou só marejou Quando se lembrou do velho O meu bisavô Disse que ele foi escravo, mas não se entregou à escravidão Sempre vivia fugindo E arrumando confusão Disse pra mim que essa história do meu bisavô, negro fujão Devia servir de exemplo A esses nego pai João Disse afinal que o que é de verdade ninguém mais hoje liga Isso é coisa da antiga Ô na tina Na tina Vovó lavou, vovó lavou A roupa que mamãe vestiu quando foi batizada E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar E mamãe quando era menina teve que passar Teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar
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