As Baías falam sobre músicas, projetos e o que fazer para estar mais próximo do público

, 15h19, por Amanda Ramalho
Reprodução Instagram As Baías

O site Kboing entrevistou recentemente um trio muito querido por onde passa: As Baías!!

Essa turma, que se esbarrou nos corredores da universidade, mais precisamente na USP, tem uma bagagem incrível e parcerias com grandes nomes da música brasileira para mostrar aos quatro cantos do país.

Hoje, Assucena, Raquel e Rafael, que estão vinculados à Universal Music Brasil, nos falaram um pouquinho sobre "Drama Latino", um projeto lindo e repleto de colaborações maravilhosas. Dá só uma espiadinha nesse bate-papo:

KBOING: Conta pra gente um pouquinho sobre o início da banda!

Assucena: As Baías é uma banda que se encontra na Universidade de São Paulo, em São Paulo, no Campus do Butantan. A gente fez faculdade de história, mas a música capturou a gente de um jeito muito especial. A Raquel, o Rafa e eu viemos de lugares muito distintos. A Raquel veio da periferia de São Paulo, o Rafa vem do Sul de Minas, de Poços de Caldas, e eu do sertão da Bahia, de Vitória da Conquista. Cada um com vivências muito diferentes, com experiência de musicalidade muito próprias, mas a gente conseguiu encontrar um fator comum na música que foi o que nos uniu: nossa paixão pela música brasileira e pela música como gênero em geral.

Rafael: Inicialmente a gente teve uma banda chamada Preto por Preto, que foi uma banda que tocou muito nas festas da USP e a partir do momento que a gente foi gostando, pegando gosto pela coisa, o trabalho foi ficando mais sério e chegou num certo momento que a gente precisou decidir se a gente continuava a fazer a faculdade ou entrava em estúdio para gravar nosso primeiro disco. Foi aonde começou toda a história.

Raquel: Lançamos nosso primeiro álbum em 2015, chamado “Mulher”, e hoje a gente é artista da Universal Music e já fomos indicadas a uma série de premiações!

KBOING: O último lançamento de vocês é o EP “Drama Latino”, produzido agora na pandemia. Nos fale sobre essa produção.

Assucena: Olha, fazer um disco é sempre desafiador. “Drama Latino” foi desafiador. É desafiador por conta de uma perspectiva, eu acho, artística, de autossuperação, de você superar o outro trabalho e não só superar no sentido de ser melhor, mas no sentido de começar uma nova fase, de explorar novas sonoridades, novas temáticas, novas perspectivas visuais e sensíveis. Então, eu acho que esse é um desafio enorme, mas o maior desafio foi, além desse, fazer tudo isso no meio de uma pandemia, ainda mais porque a gente fez um álbum visual. Todas as canções têm clipe e todas as canções têm uma participação especial, que era inusitada no sentido de a gente nunca ter produzido algo junto e a gente conseguiu estabelecer uma linguagem, que é o “Drama Latino”, que é o colorido que a nossa latinidade estabelece.

Raquel: Ele tem participação de Xand Avião, Luísa Sonza, Cléo, Kell Smith e Lin da Quebrada. Ele foi produzido pelo Daniel Ganjaman e a gente produziu ele no meio da pandemia. Então foi muito difícil produzir esse álbum, mas a gente tá aí trabalhando e tentando sobreviver.

Rafael: “Drama Latino” foi um trabalho que começou antes da pandemia. A gente tava ali na virada de 2019 para 2020 trabalhando muito nesse disco e interrompeu ele justamente por conta da pandemia. Ao longo da pandemia, a gente lançou o disco “Enquanto Estamos Distantes”, que foi nomeado ao Grammy, lançou o EP “Respire Coragem”, que começa ali essa transição, inclusive com o nome dAs Baías, assumindo agora uma postura mais pop. Então a gente gravou, com Rincon Sapiência e com Mc Rebecca e aí veio o “Drama Latino”, que foi esse grande projeto que a gente conseguiu executar ao longo do final ano.

KBOING: Por falar em pandemia, como têm encarado essa situação e o que fazem para interagirem com o público nesse período?

Assucena: O que transformou a relação com o público na pandemia foi a rede social. É impressionante como a rede social não só transformou, como possibilitou a gente a criar a linguagem, criar pretextos para estar junto com público. Porque é muito triste não fazer show. Fizemos alguns encontros por Google Meet, para poder estar perto do nosso público. Já fizemos audições exclusivas. Então são coisas que tem ajudado a salvar um pouco a nossa relação com o nosso trabalho no sentido dessa saudade imensa que é tá perto do público e fazer um grande show.

Raquel: Já fizemos encontros também via Zoom para conversar com os nossos fãs, ver como eles estão, e a gente conversa com eles nas redes sociais e agora é esse o caminho.

Rafael: Tenho falado que a pandemia não tem nada de bom, né?! Mas ela nos obrigou a fazer uma série de mudanças no nosso comportamento cotidiano, a relação que a gente tinha com nosso trabalho, com as pessoas ao nosso redor. Acho que tá todo mundo tentando se acostumar ainda nessa nova realidade de produzir a distância, trabalhar a distância, gravar música a distância.

KBOING: Vocês também são grandes representantes da cena LGBTQ+ e já participaram de vários festivais. Como encaram essa responsabilidade?

Assucena: É uma responsabilidade enorme por que o público coloca na gente uma bandeira. Acho que sou uma representante, como qualquer pessoa com CPF, representante de sua causa. Então o que eu faço é só ser aquilo que eu sou, com muito respeito ao que eu sou, com muito respeito a minha dignidade, com muito respeito ao outro. Então, nesse sentido, a gente é representante também, porque a gente estabelece limites de entender que a bandeira LGBT não é minha, a bandeira LGBT é de pessoas, que essas pessoas são plurais, pensam diferente, têm posicionamentos políticos, comportamentais diferentes. Então a gente representa no sentido do entendimento dessa pluralidade, dessa diversidade.

Raquel: Encaro essa responsabilidade de forma a entender que eu vou ser contraditória, que não vou ser perfeita e de que eu não represento ninguém, mas que pessoas podem se sentir representadas e que tudo bem. Mas também eu acho que já tenho muitos pesos. Sou uma mulher trans, preta, no Brasil e já é bastante difícil! Então eu tento fazer com que a minha carreira seja leve, sabe?! E não uma carreira em que eu me dê pesos.

 KBOING: Vamos falar sobre parceria! Cleo Pires, Linn da Quebrada, Xand Avião, Luísa Sonza... só nomes de artistas da atualidade. Como rolaram os convites, escolha das composições para cada um...

Rafael: “Drama Latino” foi um disco todo pensado com a participação de feats. A gente quis trazer um colorido bem distinto para o disco, que trouxessem várias esferas do pop para fazer esse som novo com As Baías. Nesse disco também temos primeira composição lançada em que os autores são eu, a Raquel e a Assucena. A gente raramente compõe junto, e essa foi a primeira canção, “Você É do Mal” junto com a Cléo.

Assucena: Se tem uma coisa que eu tenho orgulho desse trabalho são essas participações. Todas elas, a gente gravou a distância, cada um do seu cantinho, respeitando o distanciamento. Foi muito especial a forma que cada pessoa topou! Por exemplo, com a Cléo, a gente já tinha cantado juntas no palco do Women's Music Event, que é um prêmio dedicado à mulheres, e a gente homenageou Gal Costa ao lado de Preta Gil e Ana Canãs. Com a Linn Da quebrada, por exemplo, já éramos muito amigas, tínhamos feito um featuring juntas. Com a Kel Smith, a primeira vez que a gente se encontrou foi entrevistando ela, depois no palco Sunset, do Rock in Rio, a convite da Elza Soares. A gente se reencontra e vai rolando muito as proximidades. Quem a gente não tinha se encontrado ainda de maneira direta, tinha sido Xandy (Avião) e a Luiza (Sonza), que são dois artistas que a gente admira muito e são da mesma assessoria que a gente. A Luiza também é da mesma gravadora, a Universal Music, e a gente pensou nesses nomes pela linguagem da música, pelo gênero e quando eles aceitaram, foi um momento de muita alegria porque são artistas grandiosos e muito respeitados no Brasil. Então eu tô muito feliz com colorido que cada um desses artistas trouxe, todo mundo muito responsável, muito pontual, torcendo para “Drama Latino” dar certo.

KBOING: Projetos para os próximos meses! O que a galera pode esperar do grupo As Baías?

Assucena: Muitos projetos. A engrenagem não pode parar, o show não pode parar ainda mais no momento como esse, né!? Momento de muita concentração para classe artística, um momento em que a classe artística inteira tá levando muitos baques e golpes de uma pandemia que era inesperada e que tem tirado da gente uma das nossas principais fontes de receitas, que é o show, mas mesmo assim a gente está produzindo muito. As Baías nunca produziu tanto e nunca se concentrou tanto em torno da nossa carreira.

Rafael: A gente felizmente conseguiu não parar de trabalhar na pandemia, a gente tem lançado bastante material e não será diferente em 2021. Lançamos recentemente a canção “Mãe” que é um feat com a Ivete Sangalo.

KBOING: Deixe um recado pra galera que curte o trabalho de vocês!

Assucena: Para vocês que conhecem As Baías, que é público das Baías, para vocês que não são e gostaram dessa entrevista, eu convido vocês a visitarem as nossas redes sociais e conhecer um pouco mais do nosso trabalho será um prazer receber vocês. A gente é uma banda que tem um apreço por estar perto do público, por responder as mensagens de cada um! Vamos torcer para a gente sair desse momento e, enquanto a gente não sai, vamos consumir a arte, consumir cultura, consumir músicas. Eu desejo vacina para todo mundo, e enquanto vocês não se vacinam, vamos nos cuidar que já já a gente vai estar se abraçando num show inesquecível. Um beijo enorme!!

Rafael: Gostaria de deixar um grande beijo, um grande abraço para todo mundo que tem acompanhado As Baías nesses últimos anos. Quem conheceu agora, quem já conhecia há bastante tempo, para nós o que nos move é produzir arte e ter esse contato com público. A gente tá com muita saudade de fazer show, de poder reencontrar todos vocês e voltar a ter essa emoção olho no olho, ali no palco e trocando toda energia. Até lá se cuidem, garantam a sua segurança, dos seus familiares. Saiam o mínimo possível que puderem, usem máscara. Fiquem atentos, atentas e atentes em todos os nossos conteúdos que vão sair em breve. Um grande beijo. Obrigado!

Raquel: O que eu quero deixar para quem ouve As Baías é o seguinte: continuem nos ouvindo, continuem nos apoiando e já já a gente vai se encontrar nos shows! Se cuidem. Eu espero que muito em breve a gente possa tá cantando de frente para vocês. Vai ser muito bonito o nosso reencontro. Enquanto isso, se cuidem e encontrem nossas músicas das redes sociais!

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