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Borboleta Cega-Malandro

Jorge Aragão

a vida valeu
mas sera que era pra ser assim
sofrimento do principio ao fim
a uma dor seguida de outra dor
nao resistiu o amor
a vida valeu mas viver em solidao a dois
fez sangrar um coraçao depois
fez secar a flor fruto
e raiz de todo bem que fiz
hoje eu depois do vendaval
me sinto imune ao mal
pois deus nao pune a quem se deu
ela que ironia borboleta cega
fui a luz do seu dia
sou cruz que ela ainda carrega
e a mulher que foi minha paixao
hoje de mao em mao chora
por quem ja nao lhe quer
ao seu mudo grito reflito em minha mente
ninguém deixa um poeta impunimente

Lá Laiá, Laiá Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá, Laiá Laiá!
Eh! Laiá, Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá Laiá Laiá, Laiá Laiá!...

Malandro!
Eu ando querendo
Falar com você
Você tá sabendo
Que o Zeca morreu
Por causa de brigas
Que teve com a lei...

Malandro!
Eu sei que você
Nem se liga pro fato
De ser capoeira
Moleque mulato
Perdido no mundo
Morrendo de amor...

Malandro!
Sou eu que te falo
Em nome daquela
Que na passarela
É porta estandarte
E lá na favela
Tem nome de flôr...

Malandro!
Só peço favor
De que tenhas cuidado
As coisas não andam
Tão bem pro teu lado
Assim você mata
A Rosinha de dor...

Lá Laiá, Laiá Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá, Laiá Laiá!
Laiá, Laiá, Laiá Laiá Laiá!
Laiá Laiá Laiá, Laiá Laiá!...

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