Poema Aritimimético

Gilberto Gil

Tantos versos de arte maior
Nove sílabas, mais, três a três
Esculpido, expandido de cor
Poema aritmético
Tema aritimimético
Recitado por nove casais
Evocando a memória de seis
Legendários senhores feudais

São dezoito jograis, vezes dez
São trezentas e sessenta mãos
São trezentos e sessenta pés
São as vozes na triste canção
São castelos, tavernas, bordéis
Castelos, tavernas, bordéis

São baladas de amor, catedrais
Armaduras, espadas, anéis
Sedução de vassalos leais
Traição de amantes fiéis
Protitutas, bufões, tribunais
Um complô de cardeais contra o rei
Trágicos, fatídicos finais
Os punhais por detrás matam seis

Lendários senhores feudais
Matam mais os audazes vilões
Matarão mesmo os nove casais
De jograis provençais, vezes 10
Cortam-lhes as cabeças e os pés
As trezentas e sessenta mãos
É um massacre, a matança cruel
Semelhante a São Bartolomeu
Já não matam mais seis, mas seis mil
Não matam mais seis, mas seis mil

Mil e quinhentos Pedro Cabral
De repente já é o Brasil
Como em 2001, A Odisséia no Espaço
No tempo, no breu
No espaço, no tempo, no breu
Na noite de São Bartolomeu
Versos de arte maior já não são
É o osso quebrado, é o céu
É a nave varando a amplidão
A nave varando a amplidão

Mil anos-luz daqui e de agora
Valei-me Deus e Nossa Senhora
Guiai-me no campo magnético
Poema aritmético
Tema aritimimético.

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Album: To Be Good Is to Be Alive: Anos 90 (2003)
Gravadora:
Ano: 2003
Faixa: 8
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