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Dor Oculta

Francisco Alves

Não ligas à minha mágoa
Muito embora cheios d'água
Meus olhos queiram chorar
Não olhas este sorriso
Que trago porque preciso
À minha dor ocultar

Não te importa o que se passa
Tu deixas que eu me desfaça
Sempre ocultando esta dor
Esta mágoa carcereira
Que fez de prisioneira
A minh'alma toda amor

Eu vejo que as outras passam
Como as aves que esvoaçam
Sorrindo a quem lhes quer bem
Cada qual vai mais contente
E eu sorrio indiferente
Sem sorrir para ninguém

Eu vivo nesta amargura
Amando a ti, criatura
Sem ter migalhas de amor
Eu amo e vivo tão triste
Adoro aquilo que existe
Como o perfume da flor

Não te importa o que se passa
Tu deixas que eu me desfaça
Sempre ocultando esta dor
Esta mágoa carcereira
Que fez de prisioneira
A minh'alma toda amor
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