Fagner

Foi Deus

Fagner

Não sei
Não sabe ninguém
Porque canto fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E nesse tormento
Todo o sofrimento
Que sinto na alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto

Foi Deus
Que deu luz aos olhos
E perfumou a rosa
Deu ouro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar

E pôs estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu luto às andorinhas
Ai
E deu-me esta voz a mim

Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade e ternura
E talvez amor
Só sei que cantando
Sinto o mesmo quando
se tenho um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor

Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E pôs o azul
Nas ondas do mar

Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar

Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores a primavera
Ai
E deu-me essa voz a mim

publicidade